sexta-feira, 5 de abril de 2013

terça-feira, 2 de abril de 2013

Divulgação - Rui Ramos


Marcelina G. Leandro: Será que nos queres falar um pouco de ti? 

Rui Ramos: Nascido e criado no Porto fui para o curso de Geologia para conhecer e explorar o mundo e assim poder ser um melhor contador de histórias. Comecei por dedicar-me à banda desenhada, com breves passagens pela escrita de contos e micro-contos, até que em 2009, descobri a minha vocação como narrador oral. Actualmente, é a minha principal actividade e tem sido uma aventura bastante realizadora. 

MGL: Na Fénix participaste com uma banda desenhada e é essa a área onde te vemos mais frequentemente, onde é que podemos ver mais trabalhos teus? E em que áreas? 

RR: Na área da banda desenhada, tenho alguns contos de quatro páginas que realizei para participar em vários Festivais de BD da Amadora, de Moura e Angoulême. Mas desses contos apenas me orgulho de dois. A BD que apresento na Fénix, é um deles e foi uma das minhas participações no concurso da Amadora de 2005, o outro foi a minha participação para Angoulême em 2007, se não estou em erro. Também, escrevi um argumento para uma série de banda desenhada a ser integrada num projecto BD que nunca chegou a arrancar, cheguei mesmo a assinar contrato, o que apenas serviu para condenar o argumento ao limbo do esquecimento, pois vendi os direitos de autor e ainda não tive disposição para os recuperar. Entretanto, ganhei juízo e abandonei os concursos e trabalhos para terceiros e desafiei a comunidade de artistas de um fórum de Banda Desenhada para fazer uma BD de contos inspirados em Lovecraft e assim, nasceram os Murmúrios das Profundezas, fanzine que organizei, editei, co-escrevi, co-desenhei e co-pintei. O seu sucesso lançou-nos no panorama do fandom nacional de BD e alcançamos o prémio para melhor fanzine em blogue Isabel Coutinho. Aproveitei esta plataforma para escrever as crónicas das viagens desta personagem pelo multiverso. https://twitter.com/VoyagerBD Foi uma experiência bem divertida que chegou ao Facebook também.  Tenho ainda muitos projectos de BD na gaveta à espera de melhores dias. Mas a minha actividade não se esgota na Banda Desenhada. Tenho um conto de Fantástico/Terror publicado numa colectânea de contos da Companhia do Eu: Bicicletas para Memórias e Invenções 2. Escrevi uns micro-contos para o Fórum da Bang e acabei por compilar alguns deles num blogue que criei para o efeito, mas que entretanto abandonei para me dedicar a 100% à tese de doutoramento em Geologia. Desde então nunca mais escrevi nenhum conto. Actualmente, estou dedicado a 100% à arte da narração oral. Adoro contar histórias para um público, é isso que me realiza, mais que escrever, mais que desenhar. Para além de contar histórias, ilustro os cartazes das minhas sessões. 

2009. Os Murmúrios serviram ainda de inspiração a uma nova geração de autores nacionais e deram novo fôlego à edição de autor. Depois dos Murmúrios, a equipa que juntei realizou uma outra BD sobre uma nova personagem criada por mim: o Voyager, turista com o poder de viagem pelo multiverso.  Este novo projecto de BD depressa alcançou uma dimensão multimédia, expandindo-se para o Twitter, tornando-se um dos primeiros exemplos de twittirização de histórias na língua portuguesa (o acontecimento foi notícia de jornal!)

MGL: Como único trabalho de banda desenhada na Fénix, guardei para ti a pergunta óbvia qual o estado da Banda Desenhada nacional? É fácil entrar no fandom? Há concursos?
RR: Confesso, que há um ano que não faço a menor ideia do estado da banda desenhada em Portugal. Depois do lançamento do Voyager, em 2011 tive que me dedicar a sério à tese de doutoramento para a terminar de vez e fui obrigado a afastar-me. Nessa altura, a BD nacional estava a viver um novo fôlego, com muitos autores novos a verem os seus trabalhos editados quer em fanzines quer em álbuns de editoras comerciais como a Asa, Tinta da China. Para não falar dos autores nacionais que começaram a trabalhar para editoras estrangeiras francesas e americanas como a mítica MARVEL. Em 2007 quando perguntei a um autor como estava o mercado nacional, ele disse-me que só ele estava a ser editado. Em 2011/2012, obras portuguesas estavam a ser traduzidas para inglês e em vias de serem adaptadas para o cinema, estou a falar como é óbvio do Dog Mendonça e o Pizza Boy, o grande fenómeno da BD nacional. Foram tempos muito bons em que era fácil acreditar que tudo era possível. Actualmente, com o papão da crise acredito que as coisas estejam piores outra vez mas não posso precisar. Se é fácil entrar para o fandom? Para mim foi, bastou apanhar um autocarro do Porto para Beja com um caderno de esboços na mochila, mostrá-lo à única pessoa que encontrei no Festival de BD e descobrir para meu grande espanto que estava a falar com o director do evento. Ficamos logo grandes amigos, abriu-me muitas portas e apresentou-me a várias pessoas do meio. Em suma, para entrar no fandom, basta ir aos festivais e falar simplesmente com as pessoas, descobrimos com prazer que estamos na presença de editores, autores, lojistas, fãs, etc. Eu frequento estes festivais mais pelas pessoas que encontro do que propriamente pela Banda Desenhada que acaba por ser secundária para mim. Existem vários concursos de Banda Desenhada nacionais e internacionais, basta estar atento ao blogue do Geraldes Lino (um dos maiores divulgadores de BD cá em Portugal). Antigamente o site da Bedeteca de Lisboa era outra boa fonte de informação, mas o site anda meio parado desde 2011. 

MGL: Foste um dos organizadores dos "Murmúrios" por isso organizar um projecto desse género é-te familiar. Que memórias guardas? Já pensaste em voltar a organizar um projecto do género? 
RR: Foi uma experiência bastante boa para mim porque me ajudou a saber trabalhar em equipa. Nunca gostei de trabalhos de equipa, confesso, mas depois dos Murmúrios aprendi o seu valor e a potenciar o melhor que cada um tinha para oferecer para o projecto. Éramos 8 pessoas bastante diferentes, distribuídas pelo país, de Braga a Faro. Não nos conhecíamos. Há membros da equipa que nunca se viram e mesmo assim conseguimos realizar duas BDs distintas. Funcionámos por email. Perdemos muitas horas nos chats a trocar ideias e a enviar esboços, cada um a adicionar o seu contributo. Foram muitas madrugadas em claro. Vi o sol a nascer várias vezes pelo canto do olho enquanto estava a trabalhar à frente do PC, adormeci umas tantas com a cabeça em cima da tablet, para não falar das visões estranhas que nos aparecem quando entramos naquele limbo entre o sonho e o estar acordado. Bastante inspirador diga-se. Nem sempre foi fácil lidar com as nossas diferenças de opinião, mas com muita calma, bom senso e diplomacia as coisas resolveram-se. Foi uma honra ter feito parte desta equipa de talentosos. Quanto a novos projectos, está em aberto a possibilidade de continuar a saga do Voyager, mas passado um ano, sem estar ligado à BD está a custar-me um pouco ter a vontade de regressar. De momento, estou mais interessado em criar projectos para a narração oral e aí, as ideias não faltam. 

MGL: Queres referir algo que te pareça importante mencionar e deixar aqui algum contacto? 
RR: Aproveito para agradecer o convite para participar nesta edição da Fénix, tive pena de não ter podido fazer um conto novo mas na altura que me pediram uma BD tinha a tese de doutoramento ao pescoço e um prazo apertado para cumprir. Foi o que se pode arranjar. Agradecimentos feitos, resta-me promover a arte da narração oral que está a crescer em Portugal, novos talentos à espera de serem descobertos e com eventos espalhados um pouco por todo o país. É uma arte e profissão que merecem toda a divulgação, porque antes de se saber escrever ou desenhar, as histórias já eram contadas com o recurso à expressão corporal, vocal e facial. Existem alguns festivais a ter em atenção. Este ano, o Porto volta a receber o seu festival internacional e em Lisboa será a segunda edição da Terra Incógnita. Estejam atentos à minha página no Facebook, onde irei actualizando mais informações destes e outros eventos na área da narração oral: http://www.facebook.com/obaudo.contador

segunda-feira, 1 de abril de 2013

ESFS - Nomeações 2013



É com prazer que anunciamos que a Fénix Fanzine foi nomeada pela European Science Fiction Society na categoria de Best Fanzine.

Os nossos parabéns pela nomeação da ISF para Best Magazine.







Best Fanzine 
GAZETA SF (Romania): Simple said, for the enormous number of newcomers published: http://fanzin.clubsf.ro/

Darker (Russia):  http://darkermagazine.ru/

Géante rouge (France): http://www.galaxies-sf.com/geante_rouge/index_geante_rouge.php

Fandango (Ukraine)

Sborishte na trubaduri [Gathering of Troubadours] (Bulgaria): http://trubadurs.com

Jasubeg en Jered (Slovenia): http://drugotnost.si/index.php/magazin-jej/zadnji-letnik-jasubeg-en-jered/134-jashubeg-en-jered-english-version-of-26-number

Fénix (Portugal): http://fenix-fanzine.blogspot.pt/

quinta-feira, 28 de março de 2013

Lançamento da Fénix



No próximo dia 7 de Abril, pelas 16 h, será apresentado o
 nº 2 da Fénix fanzine, no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett, 
situado nos jardins do Palácio de Cristal no Porto.
A entrada faz-se pela 
Rua de Entrequintas, nº 268,
onde teremos os autores e outros convidados a falar sobre
 a ficção científica e fantasia em Portugal 
e o papel dos fanzines, 
para além da habitual sessão de autógrafos.



Biblioteca Almeida Garrett (Porto)
foto de Manuel de Sousa 

Para quem quiser dar uma espreitadela no ambiente dos jardins é 
clicar aqui 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Divulgação - Sara Farinha

Sara Farinha é autora do romance ‘Percepção, uma estranha realidade’ publicado pela Alfarroba, participou no terceiro e no quarto volumes da Antologia de Poesia Contemporânea ‘Entre o Sono e o Sonho’ da Chiado editora, publicou o conto ‘Dragões de Simir’ através do smashwords, é administradora do blogue ‘Sara Farinha’ e é co-autora do ‘Fantasy & Co.’ dedicado à publicação de contos de literatura fantástica.
Na Fénix número dois participa com um conto curto.


Marcelina G. Leandro: Será que nos queres falar um pouco de ti?
Sara Farinha:
Sou uma jovem escritora, lisboeta de gema que adora ler, viajar, fotografar, ouvir música, cantar, assistir e criar histórias de todos os géneros e feitios, conviver com aqueles que partilham a minha vida e aprender. Não recuso um bom desafio, um convívio com amigos e não passo sem as minhas três muletas existenciais: café, chocolate e música.



MGL: Publicaste um livro "Percepção", como foi a tua experiência como autora publicada?
SF:
A publicação de “Percepção” tem sido uma viagem importante. Com ela aprendi muitas coisas, formei ideias e opiniões que de outra forma não teria, e descobri que toda essa experiência facilitou muitas outras. Ponderei muito antes de dar esse passo. Fi-lo consciente de que se estiver disposta a trabalhar, a aprender com os erros, a arriscar, a ultrapassar a incerteza que a mudança nos traz, é possível transformar essa experiência em algo valioso. Fi-lo consciente de que a exposição exige uma responsabilidade acrescida e que era altura de assumi-la. Não tenho medo de assumir erros, nem de declarar que procuro, sempre, todos os dias, de forma consistente e dedicada, aprender com eles e progredir. Publicar “Percepção” foi a concretização de algo pelo qual trabalhei muito. Fazê-lo num país como o nosso, prova que nem todos os preconceitos são imutáveis, nem todos os esforços em vão. Prova que se estamos dispostos a ser sinceros, e a trabalhar por aquilo que mais desejamos, porque não?!


MGL: Pertences a equipa de Fantasy & Co. Como surgiu o convite? E como tem sido a experiência?
SF:
Fui convidada a participar pelo colega Pedro Pereira, autor da saga “Apocalipse”, no início do projecto. Tem sido uma experiência muito gratificante pela comunicação que envolve com os colegas, pela oportunidade de dar a conhecer o nosso trabalho, pela possibilidade de escrever em novos formatos, temas e perseguir objectivos comuns. Tenho passado uns bons bocados a pesquisar e escrever sobre temáticas bastante sugestivas, o que me agrada muito, pois força-me a sair da minha zona de conforto e enfrentar a crítica. Juntando a isto o contacto com os colegas que vivem experiências semelhantes à minha, tornou esta experiência num projecto emocionante que, na minha opinião, tem muito para dar.



MGL: Quais os teus objectivos a longo prazo como escritora?
SF: 
Tenho vários objectivos e alguns planos também. O principal é continuar a escrever, uma paixão que abracei há muito tempo mas que precisa de ser orientada, e continuar a perseguir formas de melhorar. Mas o mais importante é experienciar esta viagem como nenhuma outra. Afinal, não se trata de ter sucesso, ou vencer, mas de viver com esta escolha que fiz da melhor forma possível.


MGL: Queres referir algo que te pareça importante mencionar e deixar aqui algum contacto?
SF: 
Se é importante deve ser declarado, sublinhado e ressaltado. Por isso afirmo que é importante que apoiem projectos como o “Fénix Fanzine” que junta, e prova, o quanto um punhado de pessoas dedicadas pode fazer. Quanto aos meus contactos encontram-me por aqui http://sarinhafarinha.wordpress.com/ na maioria dos dias, senão podem enviar-me um email.