Capa da Pumba! 1
Capa da Pumba! Ashcan
(c) Todos os desenhos dão da autoria de João Pedro


IM: Alguma, mas foi muito mais culpa da leitura, a salafrário A verdade é que
quando acabei o décimo segundo ano não sabia o que fazer da vida. Direito
pareceu a melhor opção porque era o curso, dentro de Humanidades, que
oferecia um maior leque de possibilidades depois de terminado o curso –
infelizmente o plano caiu por terra quando quase no fim do curso me apercebi
que ia ser uma infeliz a vida toda caso fosse obrigada a lidar com aquelas
questões numa base diária, além de que Direito é uma área que envolve estudo
constante. Até posso vir a ser uma infeliz crónica de qualquer maneira, mas
tenho um certo gosto em não determinar já isso.
No entanto, saber que determinada área não é a nossa melhor escolha não
implica que saibamos de imediato qual a é. Estive cerca de ano e meio para
me aperceber que a edição era opção, e provavelmente a melhor para mim –
já lia livros e manuscritos com atenção ao que tinham de melhor, ao que ainda
precisavam de mudar, e como o fazer. Naturalmente que nem nessa altura nem
agora o faço a um nível profissional, mas irei chegar lá.
IM: Não só há menos antologias – o que é natural, são países de geografia e
nível populacional muito diferentes – como eu participo menos nelas. Em
relação às antologias que se têm lançado, é mea culpa, que não acabo os
contos a tempo. Os concursos são outra conversa: a política de ter de enviar
X cópias impressas do conto submetido é um critério que quase sempre me
leva a colocá-los de lado. Ficam-me as revistas, como a Fénix e a Nanozine,
e publicações como a Lusitânia, graças às quais julgo poder responder
afirmativamente à questão.
IM: Tenho um objectivo a longo prazo, mas as fases faço-as mais curtas – por
enquanto é aproveitar esta licenciatura de modo diferente de como aproveitei
a primeira, e acabá-la com um dos anitos feito no Reino Unido (que é o
mesmo que dizer, quero fugir para Erasmus).
Escrever um livro que fique minimamente decente seria uma vitória, mas
suspeito que terei a cartola e a bengala de finalista antes de chegar a meio da
pesquisa… Porque ideia já há, bem como o esqueleto. A pesquisa é que enfim,
é essencial e tem sofrido adiamentos.
Ricardo Dias: Ora aí está um tópico de conversa com o qual nunca me sinto muito à vontade… Bem, não sei o que dizer de interessante. Se tivesse de ir a um daqueles concursos de dating, estava tramado, não ia conseguir impingir-me a ninguém. Ainda bem que a minha mulher não me deixa a ir a essas coisas!
Bem, para parar de fugir ao assunto, sou um tipo que adora tudo o que puxe à imaginação, e os géneros de fantasia/ficção científica/horror são, para usar uma expressão cuja origem nunca entendi muito bem, “a minha praia” (o que tem piada, porque eu não gosto de praia). Adoro ler e ver filmes, bem como jogar jogos vídeo (são os meus passatempos favoritos), e também gosto de tudo o que envolva criar. Escrever, desenhar, até construir coisas em Legos.
Desde miúdo que tenho esses gostos (ok, a escrita foi um “achado” de anos mais recentes). Também aprecio particularmente tudo o que envolva humor refinado (humor britânico é o meu favorito), sendo acusado frequentemente de ser gozão e de não saberem quando estou a falar a sério ou a meter-me com as pessoas. Admito que muitas vezes trata-se da segunda situação. Mas é mais forte que eu.
Principalmente, tenho muita pena de não ter mais tempo para me dedicar a essas actividades, mas como a alternativa era abandonar família, amigos e emprego e nas grutas dos eremitas o sinal wi-fi costuma ser fraco, tenho que me contentar com os bocaditos que vou arranjando. Quem sabe, um dia sai-me o Euromilhões e posso largar o trabalho. Talvez comece a jogar, sempre melhora as probabilidades de ganhar um jackpot.
RD: Mais do que a escrita, consigo dedicar-me ao desenho com mais facilidade. No caso da escrita, apenas me dedico à mesma em frente ao meu computador (não gosto de escrever à mão, estou demasiado habituado a teclados), enquanto que no caso do desenho, basta-me ter algo com que escrever e um pedaço de papel, e sai logo qualquer coisa. Em qualquer lugar. Desde miúdo que sou assim. O meu boletim de vacinas (ainda tenho o original) tem algumas amostras da minha primeira arte, quando me levavam a um restaurante, eu enchia as toalhas de papel de desenhos (com a vantagem para os adultos de que não havia Ricardo a fazer barulho), e mesmo no meu percurso escolar, enchia os cadernos e os livros com gatafunhos. Os meus professores passavam-se um bocado com isso, mas normalmente sossegavam depois de verem que isso não me impedia de tirar boas notas. Ainda hoje tenho o vício de estar a desenhar em alturas em que estou parado, por exemplo, nas reuniões de serviço no trabalho. O meu bloco de notas tem mais desenhos que apontamentos. Mas a verdade é que desenhar me acalma e até me ajuda a concentrar no que se passa à volta (se estiver a tentar só ouvir a reunião, por exemplo, passados 5 minutos estou a sonhar acordado).
Quanto à escrita, é um bom escape para as minhas ideias malucas, mas é mais difícil, como expliquei atrás, dar-lhe a devida dedicação.
MGL: Estás neste momento a preparar o teu primeiro livro, "Angel Gabriel", é este o nome definitivo? Em que ponto é que está? Como nasceu? E o que esperas com este teu primeiro livro?
ACN: Em antologias, para já só tenho um conto no "Lisboa no Ano 2000", e ainda este ano sairá outro, se tudo correr bem, no "Erótica Fantástica - Volume 2". Assim sendo, a minha experiência ainda não é grande, no entanto posso dizer que ambas as selecções me apanharam um pouco de surpresa e que, na primeira, a organização esteve sempre acessível e disposta a ajudar, já na segunda, em certos momento, tive um pouco de dificuldade em contactar os organizadores, mas, eventualmente acabaram por me responder e esclarecer-me as dúvidas. Publicar contos em antologias é sempre bom pois podemos ficar associados a autores já consagrados, a boas casas editoriais e divulgamos a nossa escrita a leitores que, possivelmente, nunca alcançaríamos de outra forma.
A nível de concursos, tento sempre ter cuidado com as regras. Antes de concorrer tento pesquisar informação sobre a editora e os organizadores, para tentar saber se não se trata de um daqueles esquemas em que todos os que concorrem são seleccionados e depois os autores ainda têm de pagar para receber um exemplar, e direitos autorais, nem vê-los. Para quem, como eu, não está disposto a pagar para ser publicado, há que ter atenção às entrelinhas dos regulamentos dos concursos.
ACN: Tal como referi acima, o desenho foi a minha primeira paixão, por isso tenho-o num cantinho muito especial do meu coração. Por mais que a escrita me dê gosto, há sempre um burburinho a chamar-me para a ilustração e para a banda desenhada. Sou auto-didacta, tanto a nível de desenho como de pintura digital, e gosto muito de ir explorando técnicas que não domino, daí que seja sempre um prazer colaborar com outros artistas, como foi o caso da Ana C. Silva ou ainda da Natacha Salgueiro, como quem fiz uma BD de +150 páginas, entre 2006-2007.
Adorava poder trabalhar na área da ilustração, mas para já a oportunidade ainda não surgiu. Ocasionalmente, faço ilustrações para fanzines, e também trabalho muito em ilustrações e estudos de personagens para os meus próprios livros. Presentemente estou a estudar capas para "Angel Gabriel - Pacto de Sangue" e publiquei na Nanozine 8, duas ilustrações relacionadas com o livro.
Nesta vertente, sem dúvida que o desenho vem complementar a minha escrita e tenho, inclusive um livro já escrito, que pretendo vir a lançar com ilustrações incorporadas. Apesar de "V.I.D.A." ser um livro para todas as idades, acho que até mesmo os adultos gostam de apreciar ilustrações. Afinal, antigamente, os romances eram frequentemente acompanhados de ilustrações, como as obras de Jules Verne, Jane Austen, etc. Com o tempo essa vertente foi sendo relegada apenas para os livros infantis e infanto-juvenis, mas acredito que os adultos também estarão receptivos.